Um dos maiores desafios deste século são as mudanças climáticas. Nos últimos anos, os principais pesquisadores do mundo concluíram que a temperatura do planeta está subindo por causa da emissão de gases poluentes. Esse fenômeno pode ter conseqüências desastrosas nas próximas décadas. Para evitá-las, seremos obrigados a desenvolver tecnologias mais limpas, mudar alguns hábitos de nosso dia-a-dia e transformar a forma como geramos energia.
Não restam dúvidas de que a elevação da temperatura do planeta está sendo causada pela ação humana. Quando usamos gasolina em nossos carros, queimamos carvão em termelétricas para gerar eletricidade e derrubamos as florestas para abrir novas pastagens, mandamos para atmosfera uma grande quantidade de gás carbônico. E desregulamos o fenômeno que controla a temperatura na Terra, o efeito estufa.
O gás carbônico e outros tipos de gases conseguem reter o calor do Sol na Terra e, assim, torná-la habitável para nós. Mas quanto mais desses gases são emitidos, mais calor eles guardam. E mais quente o planeta se torna, provocando as mudanças climáticas. É isso que está acontecendo desde a Revolução Industrial, em meados do século XVIII, quando as chaminés das fábricas começaram a emitir grandes quantidades de gás carbônico.
O aumento das temperaturas médias do planeta desencadeia uma série de mudanças. As previsões mais confiáveis vêm do consenso científico do IPCC, o painel de pesquisadores reunidos pela ONU. A cobertura de gelo no cume das montanhas mais altas está derretendo. Grandes blocos de gelo também podem se soltar da Groenlândia e da Antártica. Até o fim do século, o degelo pode elevar o nível do mar em 58 centímetros, o suficiente para inundar cidades litorâneas e ilhas, como a Papua Nova Guiné. Além disso, os cientistas acreditam que os fenômenos naturais, como chuvas, secas e furações poderão ficar mais intensos e destruidores. Alguns estudos sugerem que será mais difícil cultivar alimentos e a fome poderá acirrar conflitos entre países.
Já se sabe o que é preciso fazer para frear o aquecimento global: reduzir as emissões dos gases causadores do efeito estufa. A iniciativa de algumas empresas (que têm procurado reduzir suas emissões aperfeiçoando tecnologias) e de consumidores (que diminuem seu consumo e privilegiam marcas amigas do meio ambiente) não tem sido acompanhada de perto pelos governos. Os países ricos, como Estados Unidos e Austrália, e os em desenvolvimento, como o Brasil e a China, ainda discutem de quem é a culpa no aquecimento global. E a quem cabe buscar uma solução. Seria dever dos desenvolvidos, que enriqueceram sujando a atmosfera? Ou dos que estão começando a se desenvolver e já emitem mais poluentes, como a China?
Reduzir as emissões é uma tarefa global, afinal, as mudanças climáticas não têm fronteiras. O Brasil poderia ser um dos líderes no combate ao aquecimento global. O país já é dono de uma das matrizes energéticas menos poluentes do mundo. Mais de 80% da energia gerada vêm de hidrelétricas, que não emitem grande quantidade de gases do efeito estufa. Mas o país precisa resolver seu maior problema na área ambiental: o desmatamento, que faz dele o quarto maior emissor de gases do efeito estufa no mundo. Segundo o único inventário de emissões feito pelo governo brasileiro, divulgado em 2004 e baseado em dados de dez anos antes, o desmatamento é responsável por 75% das emissões brasileiras.
Os cientistas já têm uma boa idéia de quais serão os impactos do aquecimento global no Brasil. Cerca de 42 milhões de pessoas que vivem na costa seriam atingidas pelas ressacas, com a elevação dos níveis dos mares. Eventos extremos, como o furacão Catarina, que atingiu o sul do país em 2004, chegariam a São Paulo e ao Rio de Janeiro. Na agricultura, a área propícia à plantação de soja diminuirá e a mandioca poderá desaparecer do semi-árido. Mas os piores efeitos seriam vistos na Amazônia. Um aumento de 3 graus na temperatura transformaria metade da floresta – a maior do mundo – em savana. A ausência da cobertura vegetal na Amazônia reduziria as chuvas no Sul e Sudeste.
Fonte: site da revista Época.
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